terça-feira, 4 de outubro de 2016
Simpósio de HMI em Araraquara
Inicio parabenizando todos os envolvidos com a organização do evento. Foi perfeito!!!
Como eu já escrevi no blog em outro texto, a Hipomonineralização de molares e incisivos se tornou o maior desafio da odontopediatria atual. No momento, pesquisadores de todo o mundo tentam chegar a uma conclusão sobre a causa, prevalência, severidade e o tratamento mais adequado dessa má formação.
Nestes dois dias (16 e 17 de setembro) de Simpósio estiveram presentes representantes do Chile, Argentina, Colômbia e Brasil. Infelizmente, ainda há muito que se estudar para termos respostas mais precisas.
A Profa. Dra. Lourdes Santo Pinto, da Unesp de Araraquara, iniciou sua apresentação relatando o primeiro caso que ela teve contato com HM,I em 2002, o que a motivou a formar um grupo de estudos em Araraquara. Esse grupo teve inicio em 2008,e atualmente é responsável por 15% das publicações a respeito da HMI.
É muito difícil fazer a pesquisa, pois a maioria dos pais não se recorda com precisão de tudo que ocorreu durante a gestação e com a criança quando mais nova.
Algumas linhas de pensamento acreditam que a HMI pode ser causada devido a uma infecção que a criança teve na época da formação do dente. A dúvida é, foi a infecção ou o medicamento para combater essa infecção? Alguns estudos já demonstram que o antibiótico pode causar a má formação. Outros estudos relatam a possibilidade genética. A pessoa tem a carga genética e pode ser transferida para outra geração, e somando a influência do ambiente, pode ter a HMI.
Sabe-se hoje que, a dor independe do grau de severidade da doença.
A prevalência na Europa varia de 3,6% a 40%, na África de 2,9% a 13,7%, na Ásia 2,8% a 25,5%, na América de 6,4% a 40,2%, e na Oceania 14,9 a 44%.
Em El Cedro, na Colômbia, a prevalência é de 3,0%, em Medellín 12%. Já em Buenos Aires, na Argentina, a prevalência é 15,9%. Montevidéu é de 6,5%.
No Brasil podemos observar em Araraquara (SP) 12,3%, Pat.Paulista (SP) 14%, Botelho (MG) 19,8%, Rio de Janeiro (RJ) 40,2%, em Teresina (PI) 23,2%, Vila Velha (ES) 21 %, e Manaus (AM) 9,1%
De acordo com Profa. Tuka, o tratamento deve ser individualizado. As crianças com HMI são tratadas 10 vezes mais, devido a adesão insuficiente nesses dentes. A Profa. relata que as crianças com esta má formação podem ser mais ansiosas e apresentarem problemas de comportamento. A opção de tratamento ideal nem sempre é possível e planos alternativos devem ser considerados.
A palestrante argentina, Profa. Dra. Ana Maria Biondi, relatou que as pesquisas realizadas na Argentina não coincidem com a do grupo de Araraquara. Durante a sua palestra, ela nos mostrou as características ultraestruturais do dente com HMI. Disse que a HMI pode ser formada da 18ª semana de vida intrauterina até os 05 anos de idade.
A Profa. Dra. Maria Consuelo Fresno, do Chile, relatou que o mesmo paciente pode apresentar fluorose (alteração causada pelo excesso de flúor) e HMI. Tivemos a oportunidade de ver a Classificação Europeia, Classificação Universal e o diagnóstico diferencial de fluorose, hipoplasias, amelogênesis imperfeita e cáries.
O Prof. Dr. Alfonso Escobar Rojas, da Colômbia, relatou não haver, até o momento, nenhuma evidência científica confirmando a relação entre fluorose dentária e HMI. Eles são defeitos de esmaltes diferentes em relação à aparência clínica e patogênese. Segundo o professor, percebe-se uma diminuição da cárie dentária nos últimos 20 anos, em todo o mundo, e um aumento de dentes com defeitos de esmaltes (HMI e fluorose). Os defeitos no esmalte são cada vez mais evidentes, sendo uma preocupação entre clínicos e pesquisadores de todo o mundo.
As pesquisas no Brasil não detectaram o aparecimento da HMI com diferença nas classes sociais. Já o Chile encontrou um número maior nas pessoas de baixa renda. No Brasil, foi encontrada uma associação entre bebês prematuros e HMI. Seria um fator de risco os bebês prematuros. Já o Chile e Argentina não encontraram essa associação.
No Chile, de acordo com o Prof. Dr. Juan Diego Mejia, muitas vezes quando a criança possui os primeiros molares permanentes com HMI, eles optam pela extração dos quatro e a colocação de aparelho para que o segundo molar permanente ocupe o lugar do primeiro. Já nós, brasileiros, somos totalmente conservadores e tentamos ao máximo a preservação do dente e mantê-lo na cavidade bucal.
De acordo com a Profa. Dra. Marisa Gabrielli, os dentes com HMI possuem fibras nervosas pulpares em abundância. Muitas crianças sentem fortes dores para se alimentar ou até mesmo na hora de falarem. Na hora do tratamento, até mesmo com a anestesia a criança ainda continua sentindo dor.
O Prof. Dr. Weber Abad Ricci nos mostrou várias soluções estéticas para os casos de HMI e os protocolos clínicos.
A dificuldade que nós, profissionais, temos no momento, é a de dar uma resposta conclusiva aos pais. Eles querem saber o que foi responsável por essa má formação. Muitos não compreendem o tratamento complexo e muitas vezes insatisfatório. Eles querem uma solução imediata para a dor e para a estética. Infelizmente, algumas vezes, não podemos suprir essa expectativa dos pais. Os pesquisadores já deram grandes passos, mas ainda há muito para se estudar e conseguirmos uma resposta para a causa e um tratamento mais adequado, correspondendo aos anseios dos pais e do paciente.
segunda-feira, 12 de setembro de 2016
Simpósio Latino-Americano de Hipomineralização de Molares e Incisivos
Atualmente, a Hipomineralizacão de Molares e Incisivos (HMI) é uma das maiores preocupações de pesquisadores de todo o mundo.
Nos dias 16 e 17 de setembro, a cidade de Araraquara sediará o “I Simpósio Latino-Americano de Hipomineralização de Molares e Incisivos”. O evento será realizado na Faculdade de Odontologia da Unesp.
De acordo com o site do evento, a HMI se tornou o maior desafio da odontopediatria moderna.
A prevalência, etiologia, critérios de diagnóstico, características clínicas e opções de tratamento são motivo atual de pesquisas em todo mundo.
Infelizmente, mesmo com todos os estudos, nós podemos ver crescendo o número de crianças com HMI e as pesquisas são inconclusivas. Diante deste contexto, o Grupo de Pesquisa “Estudo da Hipomineralização Molar-Incisivo”, do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), convida para o Simpósio, que tem como objetivo discutir, de forma dinâmica e integrada, conhecimentos gerados até hoje com relação a essa condição. Estarão presentes professores especialistas e experientes na HMI, da Argentina, Brasil, Chile e Colômbia. Além disso, serão selecionados trabalhos nas modalidades caso clínico e pesquisa, onde a troca de experiências entre palestrantes e participantes será encorajada.
Durante o Simpósio será possível a interação entre os participantes que estão fora do Brasil com todo o evento, por meio de uma sala virtual conectada a Internet, disponibilizada pela Faculdade de Odontologia da Universidade CES (Colômbia) e com apoio do CES Virtual.
Em meu consultório, como no de muitos amigos odontopediatras, o número de crianças com a presença de HMI aumenta assustadoramente. Irei participar com a esperança de que possa trazer, para os meus pequenos, soluções que os ajudem a conviver melhor com a HMI, até que nossos pesquisadores cheguem a um contexto e possamos, finalmente, ajudá-los de forma definitiva.
Nos dias 16 e 17 de setembro, a cidade de Araraquara sediará o “I Simpósio Latino-Americano de Hipomineralização de Molares e Incisivos”. O evento será realizado na Faculdade de Odontologia da Unesp.
De acordo com o site do evento, a HMI se tornou o maior desafio da odontopediatria moderna.
A prevalência, etiologia, critérios de diagnóstico, características clínicas e opções de tratamento são motivo atual de pesquisas em todo mundo.
Infelizmente, mesmo com todos os estudos, nós podemos ver crescendo o número de crianças com HMI e as pesquisas são inconclusivas. Diante deste contexto, o Grupo de Pesquisa “Estudo da Hipomineralização Molar-Incisivo”, do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), convida para o Simpósio, que tem como objetivo discutir, de forma dinâmica e integrada, conhecimentos gerados até hoje com relação a essa condição. Estarão presentes professores especialistas e experientes na HMI, da Argentina, Brasil, Chile e Colômbia. Além disso, serão selecionados trabalhos nas modalidades caso clínico e pesquisa, onde a troca de experiências entre palestrantes e participantes será encorajada.
Durante o Simpósio será possível a interação entre os participantes que estão fora do Brasil com todo o evento, por meio de uma sala virtual conectada a Internet, disponibilizada pela Faculdade de Odontologia da Universidade CES (Colômbia) e com apoio do CES Virtual.
Em meu consultório, como no de muitos amigos odontopediatras, o número de crianças com a presença de HMI aumenta assustadoramente. Irei participar com a esperança de que possa trazer, para os meus pequenos, soluções que os ajudem a conviver melhor com a HMI, até que nossos pesquisadores cheguem a um contexto e possamos, finalmente, ajudá-los de forma definitiva.
segunda-feira, 8 de agosto de 2016
O Retrato da Saúde Bucal no Estado de São Paulo
Fazendo a minha leitura diária encontrei, na revista do CRO, a reportagem “O Retrato da Saúde Bucal no Estado de São Paulo”.
O levantamento foi coordenado pelo professor Antonio Carlos Pereira da Unicamp, por Vladen Vieira (da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo) e por Antonio Carlos Frias da FOUSP. O levantamento envolveu 17.560 pessoas de 162 municípios e revelou indicadores surpreendentes sobre as condições bucais da população paulista, em 2015. Envolveu mais de 600 profissionais, de mais de 250 equipes de saúde bucal.
De acordo com a reportagem, a ideia é que os resultados desse levantamento permitam um melhor conhecimento da situação epidemiológica e das condições bucais no Estado, de modo a servir de orientação e base para o planejamento e a execução de políticas públicas.
Os indivíduos que integraram a amostra foram divididos em três grupos etários: adolescentes (de 15 a 19 anos); adultos (de 35 a 44 anos); e idosos (65 anos ou mais).
O percentual dos entrevistados que acreditam que necessitam de tratamento odontológico foi: 62,74% dos adolescentes; 77,86% dos adultos; e 59,89 % dos idosos.
O índice de CPOD (dentes cariados, perdidos por cáries e restaurados) é de: 3,57% para adolescentes; 15,84% para adultos; e 59,89% para os idosos.
Essa prevalência de cárie no adolescente é moderada (3,57%). De acordo com a reportagem, embora esta seja melhor do que as médias verificadas no levantamento estadual de 2002 (6,4) e nos dados da região Sudeste no Levantamento Saúde Bucal Brasil 2010 (3,83). O percentual de livres de cárie deu um considerável salto de 2002 para 2015 (de 9,7 % para 28,96 %).
Nos adultos ainda persiste um alto número de dentes extraídos (6,30), embora se observe melhoras na última década (eram 11,25 em 2002).
A pesquisa apontou que 56,18% dos adolescentes entrevistados necessitavam de tratamento odontológico, assim como 39,17 % dos adultos e 47,69 % dos idosos.
Quando questionados se sentiram dor durante os últimos seis meses, o resultado foi: 27,38 % dos adolescentes, 39,81% dos adultos e 25,09 dos idosos, disseram ter sentido dor. Isso é preocupante, pois afeta a qualidade de vida, atrapalha a alimentação, o sono, trabalho, e todo o dia a dia.
Em relação ao uso de próteses dentárias: 1% dos adolescentes, 19,94% dos adultos e, infelizmente, 79,96 % dos idosos relataram fazer uso.
Numa avaliação da própria saúde bucal, o resultado obtido foi: 60,24% dos adolescentes, 39,93% dos adultos e 52,99% dos idosos se disseram satisfeitos ou muito satisfeitos.
Em relação ao uso dos serviços odontológicos: 96,58% dos adolescentes foram ao cirurgião-dentista pelo menos uma vez na vida, sendo que 57,17% o fizeram nos últimos 12 meses e 83,99% avaliaram a consulta como boa ou muito boa. Entre os adultos 99,03% consultaram o cirurgião-dentista uma vez na vida e 51,01% o fizeram nos últimos 12 meses; sendo que 82,75% avaliaram a consulta como boa ou muito boa. Já entre os idosos o resultado foi: 98,12% alguma vez consultaram o cirurgião-dentista e 27,67% o fizeram nos 12 meses; e 79,82% consideraram boa ou muito boa a última consulta.
O estudo relatou necessidade de tratamento de endodontia (canal): 4,20% dos adolescentes, 6,31% dos adultos e 1,78% dos idosos.
Necessitam de exodontia (extração): 6,80% dos adolescentes, 17,26% dos adultos e 20,14% dos idosos.
Em relação às condições periodontais o resultado obtido foi:
- adolescentes: 55,92% sem doença periodontal, 33,49 % com sangramento, 31,49% com cálculo e 8,42% com bolsas rasas ou profundas.
- adultos: 26,25% sem doença periodontal, 44,88% com sangramentos, 57,33% com cálculo e 27,12% entre os com bolsas rasas ou profundas.
- idosos: 3,69% sem doença periodontal, 44,90% com sangramento, 60,63% com cálculo e 37,53% com bolsas rasas ou profundas.
A pesquisa nos mostra uma melhora no quadro de saúde bucal, mas o número de pessoas que necessitam de restaurações, extrações e tratamento de canal ainda é elevado. No tocante a necessidade de prótese os números vêm caindo, o que é muito bom. Porém, em relação aos idosos é preocupante o número que utiliza prótese.
Acredito que se nossos governantes se voltarem para prevenção como fator fundamental para a formação de uma Geração sem Cáries, e investirem nisso, poderemos ter uma mudança ainda maior neste quadro.
A conscientização da população não é fácil. O trabalho preventivo começa com a gestante e, com a erupção do primeiro dentinho a criança já deve visitar o consultório do dentista.
É preciso um trabalho educativo e que as pessoas se conscientizem da importância dos cuidados com a dentição de leite. As crianças devem ser orientadas a cuidar de seu sorriso. Somente assim conseguiremos ter adultos com um sorriso saudável. O custo com a prevenção será bem menor e é indiscutível o benefício que traz.
O levantamento foi coordenado pelo professor Antonio Carlos Pereira da Unicamp, por Vladen Vieira (da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo) e por Antonio Carlos Frias da FOUSP. O levantamento envolveu 17.560 pessoas de 162 municípios e revelou indicadores surpreendentes sobre as condições bucais da população paulista, em 2015. Envolveu mais de 600 profissionais, de mais de 250 equipes de saúde bucal.
De acordo com a reportagem, a ideia é que os resultados desse levantamento permitam um melhor conhecimento da situação epidemiológica e das condições bucais no Estado, de modo a servir de orientação e base para o planejamento e a execução de políticas públicas.
Os indivíduos que integraram a amostra foram divididos em três grupos etários: adolescentes (de 15 a 19 anos); adultos (de 35 a 44 anos); e idosos (65 anos ou mais).
O percentual dos entrevistados que acreditam que necessitam de tratamento odontológico foi: 62,74% dos adolescentes; 77,86% dos adultos; e 59,89 % dos idosos.
O índice de CPOD (dentes cariados, perdidos por cáries e restaurados) é de: 3,57% para adolescentes; 15,84% para adultos; e 59,89% para os idosos.
Essa prevalência de cárie no adolescente é moderada (3,57%). De acordo com a reportagem, embora esta seja melhor do que as médias verificadas no levantamento estadual de 2002 (6,4) e nos dados da região Sudeste no Levantamento Saúde Bucal Brasil 2010 (3,83). O percentual de livres de cárie deu um considerável salto de 2002 para 2015 (de 9,7 % para 28,96 %).
Nos adultos ainda persiste um alto número de dentes extraídos (6,30), embora se observe melhoras na última década (eram 11,25 em 2002).
A pesquisa apontou que 56,18% dos adolescentes entrevistados necessitavam de tratamento odontológico, assim como 39,17 % dos adultos e 47,69 % dos idosos.
Quando questionados se sentiram dor durante os últimos seis meses, o resultado foi: 27,38 % dos adolescentes, 39,81% dos adultos e 25,09 dos idosos, disseram ter sentido dor. Isso é preocupante, pois afeta a qualidade de vida, atrapalha a alimentação, o sono, trabalho, e todo o dia a dia.
Em relação ao uso de próteses dentárias: 1% dos adolescentes, 19,94% dos adultos e, infelizmente, 79,96 % dos idosos relataram fazer uso.
Numa avaliação da própria saúde bucal, o resultado obtido foi: 60,24% dos adolescentes, 39,93% dos adultos e 52,99% dos idosos se disseram satisfeitos ou muito satisfeitos.
Em relação ao uso dos serviços odontológicos: 96,58% dos adolescentes foram ao cirurgião-dentista pelo menos uma vez na vida, sendo que 57,17% o fizeram nos últimos 12 meses e 83,99% avaliaram a consulta como boa ou muito boa. Entre os adultos 99,03% consultaram o cirurgião-dentista uma vez na vida e 51,01% o fizeram nos últimos 12 meses; sendo que 82,75% avaliaram a consulta como boa ou muito boa. Já entre os idosos o resultado foi: 98,12% alguma vez consultaram o cirurgião-dentista e 27,67% o fizeram nos 12 meses; e 79,82% consideraram boa ou muito boa a última consulta.
O estudo relatou necessidade de tratamento de endodontia (canal): 4,20% dos adolescentes, 6,31% dos adultos e 1,78% dos idosos.
Necessitam de exodontia (extração): 6,80% dos adolescentes, 17,26% dos adultos e 20,14% dos idosos.
Em relação às condições periodontais o resultado obtido foi:
- adolescentes: 55,92% sem doença periodontal, 33,49 % com sangramento, 31,49% com cálculo e 8,42% com bolsas rasas ou profundas.
- adultos: 26,25% sem doença periodontal, 44,88% com sangramentos, 57,33% com cálculo e 27,12% entre os com bolsas rasas ou profundas.
- idosos: 3,69% sem doença periodontal, 44,90% com sangramento, 60,63% com cálculo e 37,53% com bolsas rasas ou profundas.
A pesquisa nos mostra uma melhora no quadro de saúde bucal, mas o número de pessoas que necessitam de restaurações, extrações e tratamento de canal ainda é elevado. No tocante a necessidade de prótese os números vêm caindo, o que é muito bom. Porém, em relação aos idosos é preocupante o número que utiliza prótese.
Acredito que se nossos governantes se voltarem para prevenção como fator fundamental para a formação de uma Geração sem Cáries, e investirem nisso, poderemos ter uma mudança ainda maior neste quadro.
A conscientização da população não é fácil. O trabalho preventivo começa com a gestante e, com a erupção do primeiro dentinho a criança já deve visitar o consultório do dentista.
É preciso um trabalho educativo e que as pessoas se conscientizem da importância dos cuidados com a dentição de leite. As crianças devem ser orientadas a cuidar de seu sorriso. Somente assim conseguiremos ter adultos com um sorriso saudável. O custo com a prevenção será bem menor e é indiscutível o benefício que traz.
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
Vamos nos atualizar?
O segundo semestre de 2016 está repleto de boas oportunidades de atualização e aprendizado. No dia 12 de agosto, a ABO (Associação Brasileira de Odontologia) de Brasília oferece palestra com o Prof. Dr. José Carlos P. Imparato, com o tem “Uma nova visão sobre as decisões de tratamento da cárie aproximando a evidência da prática.”
Também em agosto teremos o 7º Congresso de Odontopediatria APCD – ABO, em São Paulo, entre os dias 25 e 27 de agosto. Diversos profissionais irão desenvolver vários temas de grande importância para a odontopediatria.
Em setembro terá início, na APCD de Araraquara o curso de “Capacitação em Odontopediatria”, com duração de 10 meses.
Já entre os dias 16 e 17 de setembro, a ABO de Brasília oferecerá palestra com a Profª Drª Flavia Konishi - “Pré-natal odontológico” e a Profª Drª Maria Salete - “Odontologia na primeira infância e gestão comportamental em odontopediatria.”
Ainda em setembro, nos dias 16 e 17, em Araraquara, acontece o “I Simpósio Latino Americano de Hipomineralização de Molares e Incisivos”, com vários mestres transmitindo o que há de mais moderno.
No sul do Brasil, Porto Alegre sediará nos dias 29 e 30/9 e 1/10 acontece o “I Congresso Internacional de CarioBra (Cariologia).”
Em outubro, nos dias 06 e 07, Araçatuba sedia o “12º Encontro Nacional” e o “2º Encontro Internacional de Odontologia para Bebês.”
Na APCD de Araraquara acontece a “Capacitação em Odontologia Intrauterina”, nos dias 27, 28 e 29 de outubro; e nos dias 28 e 29 de outubro, tem início o curso “Odontopediatria para Especialistas”, com duração de seis meses.
Colegas de profissão: não fiquem de fora. Façam suas escolhas de acordo com suas necessidades e a de seus pacientes. Eu já fiz. Atualizar é necessário!!!
quinta-feira, 7 de julho de 2016
Aproveite as férias para cuidar da saúde bucal
Férias é um período para relaxar, se divertir, fazer programas diferenciados e comer muitos quitutes gostosos. Mas também é quando se tem tempo hábil para procurar os profissionais de saúde e checar se está tudo bem, entre eles o odontopediatra.
Sorrir traz e distribui energia, mas esse sorriso deve estar saudável. Relaxe, aproveite, brinque, mas não se esqueça da escova, creme e fio dental, especialmente depois de comer aqueles quitutes que vovós, tias e madrinhas adoram preparar.
De acordo com uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, pela organização privada e sem fins lucrativos Ad Council, três em cada quatro pais admitem que seus filhos esquecem de escovar os dentes. E mesmo a cárie sendo a doença crônica mais comum na infância, a saúde bucal dos filhos não é vista como uma prioridade para os pais entrevistados.
Lembre-se que atualmente é possível que os nossos filhos cresçam sem cáries, mas para isso é necessário disciplina e uma ação conjunta dos pais, profissionais e crianças.
Ter uma vida atribulada não é motivo para negligenciar a saúde dos nossos filhos. Se eles tiverem a doença cárie, fomos nós que falhamos.
A odontologia preventiva é a odontologia atual. Com ela evitamos que as crianças precisem de tratamentos, muitas vezes traumáticos, tanto para a elas como para os pais, além de onerosos. Segundo a Organização Mundial de Saúde a cada um dólar gastos em prevenção economizamos 33 dólares em tratamentos curativos.
Férias também é quando recebo no consultório a visita das “minhas crianças grandes”. Elas retornam com novidades da rotina, mas nunca esquecendo da importância que a prevenção tem em suas vidas. É muito gratificante saber que esses jovens nunca tiveram uma cárie, afinal, mesmo com os avanços tecnológicos da odontologia, não há nada melhor que um dente íntegro.
Prevenção Odontológica – Uma Atitude Inteligente!!!
Mais informações: (17) 3234-3809
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Medo de dentista pode passar de pai para filho
Muitas crianças têm medo do dentista mesmo sem terem tido alguma experiência no consultório. Ir ao dentista é uma das obrigações que nós temos, da mesma forma que a visita ao médico é necessária para prevenção de muitas doenças. A criança está na dependência dos pais para que possa ir ao dentista e ter os cuidados necessários com a sua saúde bucal. Portanto, é dever dos pais zelar pela saúde de seus filhos.
Sei que o cenário do dentista, há anos atrás, não era nada agradável e muitos pais não se sentiam a vontade com o ambiente com jalecos... roupas brancas... máscara... agulhas... seringas... boticões... brocas... barulho do motor... e, principalmente, por não irem ao consultório para prevenção e sim para realizarem um tratamento que muitas vezes era extenso. Muitos pais têm trauma do dentista, mas devem evitar passar o seu medo para a criança. O comportamento da criança, muitas vezes é reflexo dos pais. Por isso, trabalhe o seu medo do dentista e não comente sobre o seu trauma mal resolvido perto de seu filho.
Em uma das diversas pesquisas realizadas sobre medo de ir ao dentista foi relatado que 50% têm medo. Em relação a odontofobia (aqueles que não vão ao dentista de forma alguma, por conta do medo) o número varia de 15% a 20%.
Muitas vezes, quando vou chamar a criança para entrar ouço o comentário dos pais: vamos lá que não vai doer nada. A criança é esperta e, a partir do momento que ouve que não vai doer nada, ela fica desconfiada. Quando você vai leva-la a uma festa ou algum passeio você também diz: vamos lá que não vai doer nada? Acredito que não. Então, não comente nada antes de leva-la ao consultório. Deixe que o profissional aja da maneira correta para que a visita ao dentista seja a mais natural possível.
A gravidade é, ao desistir de visitas periódicas ao dentista para prevenção ou de realizar um tratamento podemos aumentar a incidência de cáries, doenças periodontais, tratamentos extensos e mais onerosos. Sem contar que problemas bucais não tratados podem gerar problemas na saúde geral.
Você pode ajudar o seu filho a não ser mais um odontofóbico levando-o ao dentista logo que os primeiros dentinhos erupcionarem. Assim receberá toda orientação necessária para ajudar o seu filho a crescer sem cáries e a enxergar o dentista como um amigo.
É muito importante a procura de um especialista (odontopediatra), pois ele saberá criar um vínculo de afetividade com a criança tornando as visitas ao consultório agradáveis. Somente ele poderá sanar as dúvidas e inseguranças dos pais. Ele saberá qual técnica de condicionamento que deverá utilizar para que a criança se sinta segura. De acordo com a idade de cada criança, o profissional irá mostrar a importância dos cuidados com a higiene bucal e as visitas ao dentista. Poderão ser usado DVDs, livros, manequins, etc.
Um fator muito importante é que os pais valorizem a prevenção odontológica, levando seus filhos ao consultório e evitando que visita ao dentista seja somente em uma situação de emergência e de dor.
Não teremos como tornar a visita ao dentista natural e agradável se a criança só é levada nestas situações ao consultório. Outro fator importante é não usar o dentista como ameaça a criança, como por exemplo: se você não escovar os dentes, vou levá-lo ao dentista para tomar uma injeção; ou ainda: se você não fizer isso, vou levá-lo ao dentista para arrancar todos os seus dentes.
Uma pesquisa da Brunel University de Londres aponta que 30% dos pacientes evitam ou adiam a visita ao dentista por causa do barulho da broca. No consultório não trabalho mais com o “antigo motorzinho”. O novo aparelho é mais silencioso e não corta tecido moles, sendo assim é muito mais seguro para o atendimento da criança. Sem contar que o uso da anestesia, na maioria das vezes, é desnecessário.
O medo de ir ao dentista é conhecido há muitos anos. A imagem formada é de um ambulante que fazia extrações (arrancava os dentes) na rua, em feiras na frente de toda a população. As técnicas não eram de se elogiar.
Mas hoje as técnicas e a ciência evoluíram e, juntamente com a conscientização da população, podem fazer a visita ao dentista ser um momento rotineiro e sem medo.
terça-feira, 17 de maio de 2016
Chupetas: saiba quando introduzir e quando retirar da rotina do bebê
A sucção é importante para satisfazer necessidades nutritivas, psicológicas e emocionais da criança e faz parte do desenvolvimento psicomotor na infância. Porém, a sucção do dedo ou chupeta é extremamente prejudicial para as arcadas dentárias, causando problemas graves como estreitamento na maxila e mordida aberta. O estreitamento da maxila leva ao posicionamento inadequado (mal oclusão) do tipo mordida cruzada. Na mordida aberta os dentes anteriores não se tocam, e pode levar ao outro mal hábito, que é a interposição lingual.
Ambos os casos são prejudiciais ao desenvolvimento dento facial e devem ser corrigidos o quanto antes. Após a correção ortodôntica, deverá ser realizada uma avaliação pelo fonoaudiólogo, para que não aja reincidência do problema. Se o hábito persistir na dentição permanente, os dentes se posicionarão conforme a deformidade das arcadas e agravarão os procedimentos de correção ortodôntica.
A questão é que, no primeiro ano de vida a boca é a região mais importante do corpo, e a sucção uma resposta natural própria dos humanos. A partir da 29ª semana de vida intrauterina já se observa a sucção, que tem como função básica a alimentação, visando à ingestão do leite materno. Entretanto ela pode representar um mecanismo para descarregar energia e tensão, servindo como fonte de prazer. A partir da sucção a criança vai desenvolver outras funções bucais, como a mastigação, deglutição e fonação.
A questão é que, toda criança necessita da sucção. Algumas saciam a fome e a necessidade de sucção ao mesmo tempo, por isso não tem a necessidade da chupeta ou dedo. Para as crianças que não conseguem saciar as duas coisas ao mesmo tempo é melhor escolher a chupeta do que o dedo. O ideal seria sempre oferecer o peito, mas se torna difícil para a mulher, quando necessários muitos momentos de sucção. Eu mesma fiz um teste com meu filho, quando era bebê, deixei ele ficar o tempo necessário, e foram quatro horas no peito.
Por outro lado, existem hábitos bucais nocivos que podem alterar o padrão normal do crescimento craniofacial, entre eles está o distúrbio de sucção não nutritiva, como chupeta e dedo, e os distúrbios funcionais, mastigação, respiração e deglutição.
Colocar as coisas na boca é a maneira que ele tem de aprender e descobrir seu mundo. Com ou sem a chupeta, o bebê descobrirá rapidamente que seus próprios dedos e mãos são bons para chupar. Segundo alguns estudos médicos, tanto as chupetas como os dedos e polegares, podem causar incômodos dentais.
Chupetas
O uso da chupeta tem seus prós e contras. A principal vantagem é acalmar o bebê e ajudá-lo a dormir. Ao sugar, os batimentos cardíacos do bebê ficam mais regulares. A necessidade de sucção do bebê é mais forte durante os primeiros meses de vida. Alguns autores aconselham o uso de chupeta ortodôntica desde os primeiros dias de vida até, no máximo, um ano e meio a dois anos. A troca do dedo pela chupeta demanda tempo, sendo necessária a persistência da mãe.
Na grande maioria das vezes, chupar chupeta pode transformar-se em um fator de desequilíbrio para a musculatura e para o posicionamento dos dentes nas arcadas. Pode influenciar negativamente o crescimento e desenvolvimento dos ossos da face, além de alterar o padrão correto da deglutição e induzir a respiração pela boca, pois os lábios se tornam flácidos, com tendência a manterem-se afastados, mesmo nos períodos em que o uso de chupeta for cessado.
A alteração mais frequente em quem chupa chupeta é a mordida aberta anterior, seguida da mordida cruzada posterior e de alterações na musculatura de lábios, língua e bochechas, que podem acarretar alterações funcionais na deglutição, na respiração e na fala.
Dedo
O dedo tem calor, odor e consistência muito aproximados aos do mamilo materno, além de estar sempre presente, o que torna sua remoção mais difícil que a chupeta. As crianças que não tiveram contato com a chupeta podem desenvolver o hábito de chupar o dedo. Destas, a maioria persiste com o hábito após os três anos de idade. Em comparação, menos de um terço das crianças que usa a chupeta continuam com ela depois dos três anos de idade.
Crianças que chupam o dedo apresentam: mordida aberta anterior e acentuada; incisivos superiores vestibularizados; incisivos inferiores verticalizados; trespasse horizontal acentuado; e mordida cruzada posterior.
Informações gerais sobre a sucção de chupeta e dedo
- Todas as crianças necessitam sugar e mastigar, mas quando essa atividade permanece por longos períodos ela se torna um hábito perigoso. O prejuízo do dente está diretamente relacionado ao fator tempo, quanto mais a criança permanece com o hábito, maior a chance de os dentes se desenvolverem em posições inadequadas. O hábito deverá ser mudado até os dois anos de idade.
- Se a crianças mamou no peito ou mamadeira de maneira adequada, o início da retirada da chupeta deverá ocorrer por volta dos seis ou sete meses de idade, quando chega o primeiro dente. A partir desse momento desenvolve-se toda a potencialidade para o início da mastigação, e por volta dos 18 meses a criança já não necessitará mais da chupeta ou dedo.
- O bico da chupeta deve ser ortodôntico, corresponder ao formato do palato e ser usada da maneira correta. Verifique se há algum sinal para que indique sua posição correta. Ela também deve ter o tamanho adequado para a idade da criança.
- O bico deve estar intacto, sem buracos ou rachaduras, de tal forma que ela não se desfaça em pedaços na boca da criança. Os pais devem puxar o bico para testar e trocar a chupeta assim que o bico demonstrar sinais de uso.
- A chupeta só deve ser dada no momento de ansiedade e tensão do bebê.
- Se a criança de início usar a chupeta para adormecer, os pais podem retirá-la assim que ela pegar no sono.
- Usar a chupeta somente para satisfazer as necessidades básicas de sugar, em geral mais acentuadas nos três primeiros meses.
- Nunca criticar, ridicularizar ou aplicar uma punição à criança por estar sugando o dedo ou a chupeta. Essas atitudes podem reforçar o hábito.
- Pais e profissionais têm papéis fundamentais na hora da remoção do hábito. O profissional deve, através de slide e fotos, mostrar dentes bonitos e feios, e explicar o que pode acontecer com os dentes da criança, se ela continuar com o hábito. Os pais devem reforçar os ensinamentos, em casa.
- Durante a remoção da chupeta, pode haver a necessidade da criança ter um objeto de transição, que propicie aconchego e segurança, pode ser um brinquedo, por exemplo.
- Quando a decisão da remoção do hábito parte da criança, raramente haverá recaída.
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