sábado, 14 de março de 2015

Em março tem IAPD BRAZIL – II Regional Meeting



São Paulo sedia, nos dias 19 e 20 de março, o IAPD BRAZIL – II Regional Meeting. O evento é voltado para a odontopediatria e eu já fiz minha inscrição.
Será um grande evento científico para os profissionais que atendem crianças e querem estar por dentro do que acontece com a odontopediatria nacional e internacional.
De acordo com o Dr. Marcelo Bönecker, presidente do evento, a Associação Internacional de Odontopediatria (IAPD) é uma organização reconhecida pela promoção do intercâmbio de conhecimento cientifico e saúde oral em nível mundial. Em 2013 tivemos a IAPD pela primeira vez, em seus mais de 40 anos de história, realizando o Regional Meeting no Brasil. Com tamanho sucesso será realizado
novo meeting em São Paulo com uma nova parceria entre a Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo, o Centro Internacional de Ensino e Pesquisas Avançadas em Saúde, a Associação Brasileira de Odontopediatria e a Associação Paulista de Odontopediatria.
Segundo o Dr. Marcelo, eles visam desenvolver a troca de conhecimento através de palestras e debates entre grandes autoridades nacionais e internacionais e clínicos da odontopediatria, para atualização profissional. Haverá os quatro módulos centrais
e um debate, após cada módulo, para interação entre professores e participantes, no qual será abordado, no módulo inicial, a promoção da saúde oral na infância, e nos demais módulos as atuais propostas científicas ao atendimento de bebês, crianças e adolescentes visando a excelência clínica.

A programação traz as seguintes palestras e palestrantes:
- Promoção da Saúde, com Richard Watt, chefe de departamento de Saúde Pública Odontológica na Universidade de Saúde Pública UCL, Inglaterra.

- Rio acima, Meio do Rio, Rio Abaixo, com Samuel Moyses, Ph.D.  em Epidemiologia e Saúde Pública pela Universidade de Londres, Inglaterra.

- Estado de arte da Imaginologia do século XXI na Clínica Odontológica Contemporânea, com Dr. Israel Chilvarquer, professor Associado e Livre Docente da Fousp, diretor clínico do Indor Radiologia e do Instituto Branemark Bauru.

- Ortodontia precoce: manejo de espaço na dentição mista, com Jorge Luis Castillo Cevallos, presidente da  Associação Internacional de Odontopediatria (IAPD) (2013-2015), especialista em Odontopediatria e mestre em Ciências pela Universidade de Connecticut, USA.

- Materiais dentários e odontologia minimamente invasiva em Odontopediatria, com o Prof. Dr. Norbert Krämer, PhD na Universidade de Erlangen, Alemanha, presidente da Academia Europeia de Odontopediatria 2010 – 2012.

- Respiração Bucal e Odontopediatria, com Pedro Vinha, doutorando pelo programa de Otorrinolaringologia, Oftalmologia e Cirurgia Cabeça e Pescoço da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP, diretor da NEOM-RB Pesquisa e Educação
em Odontologia.

- Direções futuras para o manejo de  trauma em crianças e adolescentes, com ênfase em novos materiais, ciência do desenvolvimento e ação multidisciplinar, com Monty Duggal, mestrado em Odontopediatria na Índia, chefe do Departamento de Saúde Oral da Criança – Leeds Dental Institute, Inglaterra, publicou mais de 130 artigos em periódicos internacionais.

Abordagem contemporânea da cárie na clínica infanto-juvenil: Fundamentos
e protocolos para a busca da excelência clínica, com
Fernando Borba, mestre e doutor em Odontopediatria pela FOUSP, São Paulo, professor responsável pela área de odontopediatria do Programa de Pós-Graduação em Odontologia da FO. UFRGS, Porto Alegre.

Estarei presente e volto em breve com muitas novidades.



terça-feira, 10 de março de 2015

Prevenção odontológica – A realidade da odontologia para um futuro livre de cáries



Durante o CIOSP 2015 tive a oportunidade de ouvir novamente o Dr. Paulo Rédua e a Dra Flávia Konishi e, pela primeira vez, a Dra. Fernanda Nahás P. Correa.
Dr. Paulo disse que a prevenção é o futuro da odontologia e que ela deve começar no consultório. O perfil da clínica de odontopediatria deve ser voltado para a prevenção. É preciso conscientizar os pais da importância de um programa preventivo para que as crianças cresçam com uma saúde bucal satisfatória e sem a experiência de cárie.
De acordo com artigo publicado JADA, Vol 130, may 1999, 715-723, devemos enfatizar o valor das revisões odontológicas regulares, que irá beneficiar os pacientes e contribuir para a manutenção da sua saúde bucal. Vejam, a prevenção não é uma novidade é uma realidade antiga ,esse artigo é de 1999 e já podemos ter a certeza de que a prevenção é fundamental para a formação de gerações sem cáries.
O Dr. Paulo nos mostrou outro artigo de Ernesto P G. de Medeiros e Marcelo A. Galante que diz “A prevenção será a chave do futuro, pois com a acentuada ênfase em prevenção, as necessidades de restauração serão mínimas.”
A Dra. Flávia mais uma vez ressaltou a importância da orientação e do acompanhamento da gestante. Ações educativas e procedimentos de assistência à gestante com o olhar voltado para o bebê. De acordo com ela, os dentistas precisam desempenhar um papel pró-ativo na manutenção da saúde bucal durante a gestação, pois a gravidez é um momento único na vida da mulher, acompanhada por uma variedade de alterações fisiológicas, anatômicas e hormonais que podem afetar a saúde oral. Portanto não se deve negar o tratamento a uma gestante. A grande dificuldade na implantação de um serviço odontológico no pré-natal advém das crenças que decorrem da associação entre gestação e a odontologia.
Segundo a Dra. Flávia os achados são consistentes  ao demonstrarem a existência de associação entre a saúde bucal da mãe e da criança. O pré-natal odontológico nos traz a possibilidade de melhorar as chances oferecidas a toda uma geração, de nascer e crescer em saúde bucal, sem ter que suportar o peso dos problemas e tratamentos que sofreram os mais velhos.
Dra. Fernanda enfatizou a melhora na saúde bucal, mas que ainda há necessidade de muito mais. Educar o paciente e seus pais é fundamental para que a criança não tenha cárie. Essa educação deve ser contínua para que os pais não esqueçam. O SUCESSO DA PREVENÇÃO DEPENDE DA ATUAÇÃO EM CASA.
Eu sempre digo aos pais dos meus pequenos que sozinha não conseguirei manter a saúde bucal deles.
De acordo com a Dra. Fernanda o consumo de açúcar é provavelmente o indicador mais poderoso para risco de cárie em crianças que não tem exposição regular ao flúor. Há uma necessidade urgente de desenvolvimento de programas de saúde materno-infantil, onde as ações educativas e preventivas incluam a atenção a saúde bucal. (FRAIZ, 1993)
Educação nunca foi despesa, sempre foi investimento com retorno garantido. (Arthur Lewis)

Prevenção Odontológica – Uma atitude Inteligente, sempre!!!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Prevenção de cárie em odontopediatria



Com um sotaque nordestino que nos encanta, e todo seu conhecimento, o Dr. Fábio Correa Sampaio nos presenteou, durante o Ciosp 2015, com o tema “Prevenção de Cárie em Odontopediatria.”
De acordo com o professor, hoje nós temos todos os recursos para controle da cárie e é um absurdo ainda termos crianças chegando aos nossos consultórios com cárie.
Segundo pesquisas, 90% da população mundial já vivenciou algum problema odontológico (dor de dente) relacionado à cárie ou a doença periodontal. Nas Filipinas, 97% das crianças tem cárie.
No Brasil temos 44% de crianças livre de cáries, mas em nosso país há alguns locais que necessitam de muito trabalho, como por exemplo, o Nordeste.
Durante muito tempo achava-se que o mecanismo de atuação do flúor era sistêmico, hoje sabe-se que ele é exclusivamente tópico e, para ter o efeito remineralizante, deve-se ter níveis mínimos de flúor na cavidade bucal constantemente.
Um fator importante relatado pelo professor Fábio é que, atualmente, devido aos meios preventivos, temos que estar atentos para a cárie oculta. Nos últimos anos podemos observar um aumento e precisamos do exame radiográfico para constatá-la.
Referente a dieta foi relatado que, o consumo de sacarose aumenta a incidência de cárie. A frequência da ingestão é mais importante que a quantidade e a forma física do alimento é relevante. Portanto, uma medida preventiva fundamental se faz com: redução do consumo de açúcar; não consumir alimentos açucarados entre as refeições; redução na frequência de consumo de alimentos açucarados; observar medicamentos a base de xaropes açucarados; as crianças maiores devem ser conscientizadas sobre a importância da dieta e da nutrição em relação a saúde bucal; e as escolas deveriam promover padrões saudáveis de alimentação.
Na Suécia, por exemplo, existe o dia do doce e, somente neste dia, é vendido refrigerante.
Visando o controle de consumo de açúcar na Paraíba o Prof. Fábio nos disse que agora é lei: foi proibida a venda de refrigerante nas escolas. A lei foi aprovada no dia 21 de janeiro de 2015 e tem até 120 das para entrar em vigor.
Ele ressaltou que os pais devem ficar atentos à sacarose que existe nos medicamentos infantis e não descuidarem da higiene bucal de seus filhos.
Para a promoção da saúde bucal na infância, segundo o professor Fábio Sampaio, devemos estar atentos:
- cárie de estabelecimento precoce é a condição mais frequentemente encontrada por odontopediatras. Seu diagnóstico precoce é muito importante. Quando a criança tem muita cárie na dentição decídua (de leite) temos que paralisá-la antes da erupção dos dentes permanentes;
- a higienização noturna após a última mamadeira/refeição. Uma das maiores armas contra a cárie é a higiene bucal. Por isso a importância de realizar a escovação e usar o fio dental diariamente;
- a hábitos de sucção não nutritivos (chupetas, dedos e outros objetos);
- as crianças devem estar expostas a concentrações ideais de flúor;
- limitar lanches antes das refeições e usar pouco açúcar;
- controlar a ingestão de alimentos ácidos. Se for ingerir líquidos, como sucos e refrigerantes, é aconselhável o uso de canudo, pois assim evita-se o contato direto com o dente, o que pode causar erosão dentária.
O risco a cárie é individual e o profissional irá avaliar cada paciente para indicar o melhor tratamento preventivo.
 Sabemos que hoje é possível crescer sem cáries, o que falta é a conscientização dos responsáveis. Precisamos conscientizar os pais da importância da prevenção e que eles são peça-chave para o sucesso.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Células-tronco em odontologia



Já há alguns anos tenho interesse pelo uso das células-tronco em odontologia, e sempre procuro ler e ouvir sobre o tema. No Ciosp 2015 tive a oportunidade em ouvir o Dr. Luciano Casagrande.  Até então, eu o conhecia apenas através de seus trabalhos, que costumo ler, e pelo site Associação Brasileira de Odontopediatria.

Ele já foi contemplando com o prêmio William J. Gies pelo melhor trabalho publicado na área de Pesquisa Biológica em 2010 no Journal of Dental Research, um dos periódicos mais importantes e de maior impacto na odontologia internacional. O trabalho intitulado “Dentin-derived BMP-2 and Odontoblastic Differentiation of SHED” utilizou células-tronco da polpa de dentes decíduos semeadas em scaffolds (matrizes poliméricas) criadas no interior da câmara pulpar de secções transversais de terceiros molares extraídos. As amostras foram cultivadas in vitro e transplantadas para o dorso de camundongos imunodeprimidos. O estudo demonstrou que fatores de crescimento presentes na dentina, especialmente a BMP-2, podem direcionar a transformação de células-tronco em odontoblastos, tendo um impacto importante em termos de possibilidades de terapias regenerativas da polpa dental por engenharia tecidual.

De acordo com o Dr. Luciano as células-tronco pulpares têm uma capacidade de diferenciação, autorrenovação e proliferação. Com todas as pesquisas em andamento pode-se esperar que no futuro possamos usá-las em diversos procedimentos voltados para odontologia e medicina.

É possível obter as células-tronco a partir: da polpa dentária, dos dentes de leite esfoliados, do ligamento periodontal (que liga o dente ao osso); das células progenitoras do folículo dentário; e da papila apical (tecido que fica embaixo da raiz, quando o dente está se formando). Já as células do dente de leite são as que apresentam maior potencial de diferenciação osteogênica. Além de terem a maior capacidade de proliferação, a célula-tronco da polpa do dentinho de leite pode ser retirada na época de sua esfoliação, considerado um procedimento simples.

De acordo com o Dr. Marcelo Bönecker professor de Odontopediatria da USP, em entrevista para a Revista Crescer, “as pesquisas com célula-tronco estão cada vez mais avançadas. Aquelas encontradas na polpa dos dentes contam com a facilidade de acesso, já que o dente cai naturalmente.”

A instituição é uma das primeiras a criar um banco de dentes para receber as doações. É de lá o projeto Fada do Dente, focado em pesquisas sobre o autismo infantil. Vale lembrar que, se a criança precisar extrair um dente permanente por algum outro motivo, ele também pode ser doado, já que sua polpa contém células-tronco do mesmo jeito. Também recebem doações de dentes: Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade de Ribeirão Preto.

“Trabalhos recentes mostram que essas células oferecem grandes possibilidades de sucesso em tratamentos de doenças como lúpus e diabetes”, aponta o professor.

Outra possibilidade é os pais contratarem um laboratório para armazenar os dentes de leite do filho (decisão que tomei com relação ao meu filho), assim como se faz com o cordão umbilical. O material será congelado e ficará à disposição da criança, caso ela precise de um tratamento no futuro.

De acordo com Luciano ainda há um longo caminho a ser trilhado, tanto nas pesquisas e estudos clínico, como nas questões relacionadas à legislação que regulamenta o uso de células-tronco na odontologia.

Continuarei acompanhado e torcendo por nossos pesquisadores, pois acredito muito no potencial dessas células e nas benfeitorias que poderão nos proporcionar. Acredito e confio, tanto que já guardei as células-tronco do dentinho do meu filho.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

33° Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo



Em todo janeiro a classe odontológica tem um dos maiores e mais respeitados eventos: o CIOSP Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo. Com a participação de aproximadamente 60 mil congressistas, o evento reúne ministradores nacionais e internacionais, que abordam temas de grande relevância clínica. É uma oportunidade única de atualização nas diversas especialidades da odontologia com sua programação diversificada.

Durante o evento também ocorre uma das feiras mais importantes do mundo, a FIOSP, com a participação de mais de 200 expositores nacionais e internacionais. Estará exposto o que há de mais novo em equipamentos, materiais odontológicos e tecnologia.

Estarão presentes autoridades políticas e as principais lideranças da odontologia atual. Esse ano acontece, paralelo ao CIOSP, o “1° Congresso de Estética Orofacial”, “Congresso Internacional de Laser das Divisões da World Federation for Laser in Dentistry” e o “ 3° Encontro Nacional de técnicos de ASB( Auxiliares em Saúde Bucal) e TSB( Técnico em Saúde Bucal).”


Entre os dias 22 e 25, no Expo Center Norte, a classe odontológica tem um encontro marcado, o CIOSP. O melhor local para discussão de protocolos baseados em evidências científicas. Nos encontramos lá.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Feliz Natal! Feliz Ano Novo!



“Para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.” - Carlos Drummond de Andrade


E lá se vai mais um ano. E eu tenho muito a agradecer.
Agradecer a Deus por me dar saúde e poder exercer a odontopediatria, profissão que me realiza.
Agradecer por ter tido a oportunidade de atender tantos pequenos, e outros não tão pequenos, durante o ano e por toda a alegria que me proporcionaram.
Agradecer aos pais pela confiança depositada em mim. Vocês são peça chave para conseguirmos uma Geração sem Cáries.
Agradecer pela família que tenho, com a qual posso contar nos momentos mais difíceis. Isso me dá um conforto muito grande. Em especial ao meu marido, meu filho e meus pais, que estão sempre me apoiando.
Agradecer por novos amigos que fiz durante o ano e pelos velhos amigos que sempre me divertem e ajudam.
Agradeço a minha equipe de trabalho que é fundamental no meu dia a dia no consultório. A equipe da Pericoco Comunicação e Ideias que está desenvolvendo o site do Geração sem Cáries.
Agradeço a oportunidade de ter participado de tantos congressos voltados para odontopediatria  e trazer o melhor para os meus pequenos.
Agradeço por ter encontrado uma turminha maravilhosa (minhas vizinhas e a Assessoria Esportiva) que me colocou para praticar exercícios. Como tem me feito bem.
Olhem só, eu pensei que 2014 não tinha sido um ano bom para mim. Quando parei para agradecer percebi o quanto fui privilegiada esse ano.
Que Deus os abençoe ! Que o novo ano seja do bem... do próximo... da lealdade... da amizade... da felicidade... da sustentabilidade... da justiça... da fraternidade...
Que todos nós façamos a diferença em 2015. Desperte o Novo Ano que está dentro de você.
Voltaremos a nos encontrar no ano que está chegando.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Traumatismo dentário em crianças requer 'sangue frio' dos pais

Matéria publicada no Jornal Diário da Região em 19 de Novembro de 2014.
Por Juliana Ribeiro.
Clique aqui para ver no Diarioweb

Quem tem criança sabe o quanto é comum os pequenos levarem alguns tombos enquanto estão aprendendo a andar. Assim que dão os primeiros passos, sentem-se capazes de sair correndo e, entre uma queda e outra, podem bater os dentes. É nesse momento que muitos pais entram em pânico. Quando a criança cai e bate a boca, ela pode sofrer um traumatismo dentário, e o dente sair por inteiro ou ficar mole dentro da boca. Além da dor e do susto, é normal sangrar, cenário que deixa todo mundo assustado. 

Mas antes de entrarem em pânico, os pais devem dar atenção a certos cuidados. Para a odontopediatra Ana Rosa Kuymjian Albieri, a primeira coisa que os pais podem fazer é uma compressa com pano limpo e, em seguida, procurar um dentista, que é o profissional habilitado para realizar o exame clínico e radiográfico. "Se isso acontecer com um dente de leite (dentição decídua), na minha opinião, ele não deve ser recolocado no lugar se a remoção foi completa", explica. Ainda de acordo com a especialista, quando o dentinho de leite sai da boca devido a um trauma, ao tentar recolocá-lo no lugar, podemos encostar sua raiz na coroa do dente permanente em desenvolvimento e, desta forma, causar algum dano quando esse dente irromper.

"Com a radiografia em mãos, o dentista irá verificar se o dente permanente continua na posição correta e também se não ficou nenhum pedacinho do dente de leite no local. Caso o traumatismo dental atinja um dente permanente, o cuidado inicial é o mesmo, porém, é importante procurar o dente perdido. Esteja atento para não segurá-lo pela raiz, e sim pela coroa (as fibras do ligamento periodontal são muito sensíveis e devemos preservá-la para um resultado melhor). Lave em água corrente ou em soro fisiológico, sem esfregar, para retirar a sujeira. você pode tentar colocá-lo no local, para que fique protegido até chegar ao dentista. Se não conseguir, leve-o em um recipiente contendo leite. Se não tiver leite, guarde-o dentro da boca, entre a bochecha e os dentes: a saliva é o melhor meio de conservação em uma situação como essa", ensina. Outro alerta importante é não esperar mais de 30 minutos para procurar um especialista. Quanto antes o paciente for atendido, maior é a chance de reimplantar o dente. "O tempo que o dente permanente fica fora da boca deve ser o mínimo possível, pois as chances de reimplante diminuem com o passar do tempo. O profissional habilitado dará continuidade ao tratamento, de acordo com a resposta do dente ao processo de reimplante", alerta Ana Rosa. 


O melhor é manter a calma 

Antonio José Gracindo, pai do pequeno Pedro, de 4 anos, conta que aos 3 anos o filho veio correndo ao seu encontro quando tropeçou e bateu a boca em um degrau. "Na hora, além do dente ter voado, saía muito sangue da boca e do nariz. Ele chorava demais, o que não ajudava a ver o que realmente tinha acontecido. Eu e minha esposa conseguimos lavar o rosto dele e corremos para um dentista. Um dos dentes saiu inteiro o outro quebrou. Na hora o dentista fez uma radiografia e, como não sabíamos como preservar o dente, no susto saímos correndo para o primeiro dentista, sem ligar para saber a melhor forma de proceder, e não foi possível reimplantá-lo." 

O dente que quebrou foi tratado e refeito com resina; já o que caiu, a família está fazendo acompanhamento para ter certeza de que, mesmo com o trauma, o dente permanente irá nascer normalmente. "Por enquanto, tudo parece estar normal. Só faz 4 meses do ocorrido. Vamos aguardar para ver quais os procedimentos que teremos de tomar daqui para frente", diz o pai. Para o cirurgião dentista Leandro Moreira Tempest, mestre em diagnóstico bucal do curso de odontologia da Unorp, o sangramento abundante é normal e pode estar associado a cortes nos lábios, bochecha e pele. 

"O melhor a fazer é manter a calma e, em um primeiro momento, tentar estancar o sangue com uma fralda limpa ou uma toalha. Se o sangramento parar, pode-se lavar a área com água e sabão e, após isso, procurar pronto atendimento. Procure no local possíveis fragmentos ósseos ou dentários e leve-os consigo", explica. Ainda de acordo com Tempest, na maior parte dos casos de avulsão de dentes permanentes, sim, é possível recuperar; já com os dentes de leite, há algumas restrições, como a localização do dente permanente no interior do alvéolo, o que pode tornar contraindicado o reimplante. "O mais importante é não ficar manipulando o dente com as mão sujas." 


Após o trauma, como proceder 

A odontopediatra Ana Rosa Kuymjian Albieri explica que, "dependendo da gravidade do trauma, há necessidade de uso de medicamentos. Nos primeiros dias, é importante oferecer uma alimentação mais pastosa e líquida. O local deve estar sempre limpo, para evitar infecções, e o dentista deverá orientar os pais de como realizar essa limpeza." Ana Rosa ainda reforça que, se o dente lesionado for um dentinho anterior e a criança chupar chupeta e usar mamadeira, deve-se evitar o uso. "Para todos os tipos de trauma o paciente terá de ter acompanhamento, pois, em alguns casos, podemos ter complicações tardias, como a necessidade de se fazer tratamento de canal, correção ortodôntica, etc", diz. 


Diminua o risco 

Algumas atitudes por parte dos pais podem ajudar a prevenir as chances de acidente dentário com a criança? Para o cirurgião dentista Leandro Moreira Tempest, sim, algumas atitudes podem ajudar, como: estabelecer limites para a criança, ensiná-las disciplina e os perigos também. "Não deixe seu filho correndo solto pela casa, sem nenhum cuidador por perto. Cuidado com as cantoneiras de mesa, estantes, pias de cozinha e banheiro. O contato com outras crianças pode ser saudável, mas há um ditado que diz: 'Brincadeiras de mão acabam em choro', pois cotoveladas e cabeçadas podem acontecer", alerta. 


Cuide Bem 

:: Conscientize a família toda sobre a importância da escovação 
:: Escove os dentes sempre após as refeições principais e intermediárias (lanchinhos) 
:: Controle a ingestão de alimentos que contenham açúcar, mesmo aqueles que aparentemente não levem açúcar, como catchup e salgadinhos industrializados 
:: Vá ao dentista pelo menos duas vezes ao ano ou mais, dependendo do caso 

Fonte: Leandro Moreira Tempest, cirurgião dentista 



Outros tipos de trauma dentário 

Concussão 

:: É o tipo de traumatismo mais frequente na dentição decídua. Ocorre o rompimento de algumas fibras do ligamento periodontal, com pequenas áreas de hemorragia e edema. Não há sangramento visível, nem deslocamento ou mobilidade dental, e muitas vezes passa desapercebido pelos responsáveis 

:: Tratamento: não requer tratamento específico. Indicamos alimentação mais pastosa e líquida e 
limpeza da área afetada, de acordo com a indicação 
do profissional. Acompanhamento clínico e raio-X, 
quando necessário 

Subluxação 

:: Não há deslocamento do dente afetado, o que ocorre é o rompimento de um número maior de fibras do ligamento periodontal, aumentando as áreas de hemorragia e edema. Logo após o trauma, pode ser observado sangramento pelo sulco gengival. Pode haver uma leve mobilidade dental, que deve diminuir em uma a duas semanas. O dente pode escurecer. 

:: Tratamento: repouso da área (indicar alimentação mais pastosa e líquida para preservar a área afetada) e limpeza com orientação do profissional. De acordo com o grau de mobilidade, o profissional irá avaliar a necessidade ou não de se fazer a contenção do dentes afetados. Fazer acompanhamento clínico e raio-X 

Intrusão 

:: É o deslocamento do dente para dentro do seu alvéolo ósseo, com compressão das fibras do ligamento periodontal, e em alguns casos ocorre fratura do osso alveolar. A intrusão pode ser parcial ou total, chegando a desaparecer totalmente a parte da coroa dental da cavidade bucal, dando a impressão de que o dente saiu da boca (avulsão) 

:: Tratamento: repouso e limpeza da área afetada. Acompanhamento clínico e com raio-X. Normalmente, o dente afetado tem capacidade de reerupção, principalmente o dente decíduo. A erupção inicial ocorre nos primeiros 15 dias, mas o aparecimento de toda a coroa na cavidade bucal pode demorar até 6 meses. Caso o dente tenha esmagado e inviabilizado um grande número de fibras do ligamento periodontal ou fraturado o osso alveolar, não será possível sua reerupção, sendo indicada a extração do dente 

Fonte: Ana Rosa Kuymjian Albieri, odontopediatra